segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Estudo explica ilusão cognitiva dos poderes psíquicos



Uma nova pesquisa demonstra que os seres humanos podem detectar e assimilar alterações em estímulos visuais de forma subconsciente, sem saber a origem da informação ou o que mudou exatamente. 


O estudo sugere que o fenômeno pode ser confundido com habilidades psíquicas ou intuições sobrenaturais.


Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Melbourne, orientada por Piers Howe, apresentou aos participantes pares fotografias coloridas com o rosto da mesma pessoa. 


Em alguns casos, as duas fotografias eram idênticas. Em outras, havia diferenças pequenas, mas significativas (por exemplo, em uma das fotos, a pessoa usava óculos ou tinha um penteado diferente).


Cada foto foi observada durante segundo e meio, com um segundo de intervalo entre as imagens. Os participantes deveriam responder se houve ou não uma alteração e, em caso afirmativo, identificá-la corretamente em uma lista de opções possíveis.


“Neste estudo, obtivemos evidências comportamentais diretas de que os observadores conseguem detectar quando uma mudança ocorreu, sem necessariamente identificar o que mudou. Descobrimos que essa capacidade de detectar alterações não identificadas não é exclusiva de imagens contendo rostos”, concluem os pesquisadores.


Embora o fenômeno (conhecido como cegueira de mudança) seja conhecido há décadas, segundo o dr. Howe, este é o primeiro estudo científico a demonstrar que as pessoas percebem mudanças que não podem identificar visualmente .


Os seres humanos captam pistas visuais subconscientes de seu ambiente e as assimilam sem perceber. Quando encontramos uma pessoa e trocamos rapidamente algumas palavras, somos capazes de fornecer um grande número de informações sobre ela. 


A forma de um homem se vestir revela seu estilo de vida e classe sócio-econômica; o jeito de uma mulher falar pode fornecer informações importantes sobre a sua formação, grau de escolaridade e até sua nacionalidade; a aparência física dá pistas sobre a saúde, o nível de condicionamento físico e até mesmo a profissão de uma pessoa (o corpo de um trabalhador da construção civil será diferente do de um dançarino ou do de um jogador de futebol) .


Nenhuma dessas informações é totalmente precisa, é claro. É o que os psicólogos chamam de heurística, um conjunto de regras gerais que podem ser corrigidas com base no bom senso, lógica e probabilidade.


Resumindo: você consegue reunir informações ou perceber que algo mudou, mas não sabe como ou por que sabe disso. Como você percebe a mudança, a informação parece vir de fora, talvez na forma de uma intuição ou até mesmo de informações psíquicas.


“A experiência foi semelhante à de um sexto sentido, no sentido de captarem a informação que acreditavam que não podiam ver. Conseguimos demonstrar como esse processo funciona e derrubar o argumento de que isso se deve a uma ‘habilidade mágica’, como o sexto sentido”, informam os pesquisadores.


“A questão é que, às vezes, as pessoas têm a forte impressão de que percebem mudanças que não podem ver. Mas demonstramos que apesar de essa capacidade de detecção ser real, ela não tem nada a ver com ‘sexto sentido’ e pode ser explicada em termos de processos visuais conhecidos”.


O estudo, “Detectando alterações não identificadas” foi publicado em 13 de janeiro na revista científica PLoS -ONE. 


Segundo os autores, não foi concebido exclusivamente para desmascarar supostos poderes psíquicos, mas para fornecer um mecanismo plausível e comprovado para explicar nossa capacidade de perceber mudanças de forma inconsciente.



Por Benjamin Radford



Fonte: Discovery

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